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Seminário Diversidade, Educação e Cidadania 

O Tempo da Criança

DEC 4 - 2018

Existimos no tempo. Exigimos ser nele de um modo que respeite a nossa humanidade. O tempo de nos demorarmos a ser quem somos. O tempo do trabalho, o tempo do ócio, o tempo da fruição, o tempo da criação, o tempo da imaginação, o tempo da reflexão, o tempo de aprender. E ainda o tempo de brincar, o tempo da relação, o tempo do silêncio. O tempo de decidir o que fazer com o nosso tempo.

É um direito o tempo. É um dever, também. O direito e o dever de se ser criança. O de respeitarmos os seus ritmos, o seu processo de maturação, as suas diferenças de tempo. E ainda o tempo de ser deste tempo mas também de todos os tempos e fora dele. Do passado. Do futuro. Do presente.

Vivemos tempos vertiginosos. As nossas crianças, para quem o tempo de crescer parecia lento e tardar o tempo de ser grande, ainda o sentem lento, de tão preenchido e estruturado com o trabalho árduo das obrigações, sendo as distrações também elas hoje obrigações? Como vivem o tempo das obrigações das aulas correndo para as  obrigações extracurriculares e para as obrigações dos trabalhos de casa, dos tempos das matérias para os tempos livres que o quase não são mais?

Qual o espaço deixado para a criatividade, entre os brinquedos prêt-a-porter e as consolas?

Qual o lugar para a evasão e para a liberdade, controladas as crianças à distância pelos telemóveis e de perto pelo toque dos despertadores e pelas campaínhas das escolas?

O que é feito do tempo da leitura com os pais, à noite antes de dormir? E do tempo da escrita para contarem as suas histórias e os mundos que existem no tempo da sua imaginação?

Qual a experiência do tempo nas escolas, em casa, nos bairros, na rua?

Precisamos de tempo para pensar o tempo, para senti-lo passar, para o questionar. Precisamos de analisar como o vivemos, como o perdemos, como nos perdemos nele. Precisamos perceber a violência com que nos deixamos aprisionar por ele. Precisamos de tempo para imaginar como poderá ser um outro tempo, uma outra maneira mais harmoniosa de o viver. Precisamos do tempo para sentir a natureza, para escutar os pássaros, para usufruir uma obra de arte, para nos demorarmos na leitura de um livro, para ficarmos parados no silêncio. 

Precisamos de tempo, todos nós, para sermos crianças e para sermos com as nossas crianças. O tempo de ser criança.

Durante dois dias convidamo-vos a partilharem connosco o vosso tempo, a trazerem as vossas experiências de reflexão, investigação, atuação junto e com as crianças. Convidamo-vos a permitirem-se escutar as suas vozes e a tocarem-nos com as suas sensibilidades próprias, habitando um tempo comum.

Como já vem sendo tradição, teremos conferências, mesas redondas, workshops, tertúlias, comunicações livres. Podem trazer os vossos posters, objetos digitais, powerpoints para comunicações orais.

DEC 4_2018

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